Sombras: Poesia da dúvida (2a edição)
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Produto de uma visão-de-mundo que não se compraz com certezas definitivas, prefere responder que a indagação não tem sentido. “Não pesquiso mais”, diz num dos desalentados poemas da primeira parte do livro (“A angústia de ser”), numa confissão que é a da própria humanidade, abatida pelos grandes enigmas da existência. Do Prefácio de Roberto Pontes.

Há cinquenta anos, e mais de 10 antes de eu nascer, meu pai publicava Sombras, seu livro de estreia. Hoje faz 10 dias que ele morreu, e eu me encontro em seu apartamento vazio, encaixotando sua biblioteca, e pensando em sua vida e obra. Em seu mar de anotações, vez por outra, encontro uma pérola – uma carta de meus avós, uma foto minha criança, um cartão de natal, ou um poema inédito. Roberto Pontes, tão presente em nossa família que o chamo de tio, me ajuda no trabalho. Buscando em seu computador os livros inéditos de que meu pai vinha falando em suas últimas semanas, me pego relendo nossas últimas conversas, por sorte, gravadas online. No começo deste ano, falávamos filosoficamente sobre a morte, e ele me mandou esse poema da contracapa desta 2ª edição.
A morte era um tema infrequente entre nós. Ao contrário do autor de Sombras, Pedro Lyra, na maturidade, era muito apegado à vida, dizia não aceitar a morte. Foi com surpresa e choque, então, que li seu “Último testemunho”. Eu havia esquecido e, ao lê-lo de novo pela primeira vez, era como se meu pai estivesse falando do além-túmulo: “Morri ontem”.
Meu pai foi um homem das letras, eu sou um homem das ciências. Em seu velório, eu disse aos presentes que era difícil para eu, um astrônomo, encontrar palavras para descrever um poeta. Agora vejo que realmente não precisei. Como o grande poeta que foi, ele deixou em vida palavras que lhe dão voz além da morte. Vejo seu mundo de leitores, consternados com sua partida, e compartilhando seus versos em belos saraus digitais. É este o legado de meu pai. Pela perpetuidade de sua obra, eu sinto que posso dizer, sem recorrer ao sobrenatural, que Pedro Lyra vive.

Wladimir Lyra

ÚLTIMO TESTEMUNHO
(TRIUNFO DO SER)
Para uma filha ler antes da cremação.

Morri ontem.

Não existo mais para o universo.
O universo já não existe para mim.

Não faremos falta
um ao outro.

Mas eu
ainda poderei
atuar sobre o universo
– sob uma forma de ultra/morte.

O universo
não poderá mais
atuar sobre mim
– nem sob uma forma de ultra/vida.

Triunfo do Ser
sobre o mundo.

E sobre o nada.

25/03/2016
(poema encontrado por Wladimir Lyra, após a cremação)

PEDRO Wladimir do Vale LYRA nasceu em Fortaleza, CE, em 28 de janeiro de 1945. Foi professor da Faculdade de Letras da UFPb, de 1970 a 1972; da UNIFOR, de 1973 a 1975; da UFC, de 1975 a 1981, quando se transferiu para a da UFRJ, onde ficou até se aposentar, em 1997. Professor Visitante em universidades de Portugal (1986, 1990), Alemanha (1987) e França (1989-90, 1993), pronunciou conferências nas de Lisboa e do Porto, de Bonn e de Colônia, de Viterbo e de Roma, e de Paris-III/Sorbonne Nouvelle. Compulsoriamente aposentado da UENF aos 70 anos, em 2015, atuava como Professor Visitante/Titular de Poética nessa universidade, até falecer em 23 de outubro de 2017.