A pequena metafísica dos babuinos de Gibraltar
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A pequena metafísica dos babuinos de Gibraltar
A pequena metafísica dos babuinos de Gibraltar
R$ 35,00

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o poema e a metafisica dos babuinos
alberto lins caldas

o poema só existe quando instala o impessoal, o dialógico contra o monólogo – o monológico, quando fabula, quando instaura ficção (ficção contra ficção), q não é nem imaginar nem projetar um eu: o poema só começa quando nasce uma terceira pessoa q destitui e supera o poemata do poder de dizer eu e se configura uma ficção densa voltada e vinda do enfrentamento do horror: seu lugar é no mundo, entrenós, atuação essencialmente política: o poema é aquilo q tá lutando com a vida. não é “miniconto” – é poema.

ISBN 978-85-7823-274-0
128 p.
14x21cm
R$ 35,00
Design de capa e miolo: Romildo Gomes


leões e tigres

• se o nosso domador multiplicasse os leões •
• alem de tudo q fosse possivel e os tigres •
• como se fossem ratos num vasto vinhedo •

• ?inda assim continuaria domador o nosso •
• velho domador ou sairia ele correndo •
• como um vinhateiro depois da colheita •

• pra isso chamamos nosso domador e ele •
• entendendo intimamente a dura questão •
• garantiu q seria eternamente domador •

• disse q ele seria domador no infinito •
• dos leões no infinito dos tigres e panteras •
• no infinito de todos os gatos do mundo •

• com certeza isso nos deixou bem alegres •
• foi tanto assim q fizemos essa festa •
• onde todos dançamos e rimos •

• como se a morte viesse doida essa noite •
• pra devorar cada um de nos como se nos •
• fossemos carne na boca dum leão na boca •

• de todos os infinitos tigres infinitas •
• panteras q fazem o nosso velho domador •
• insistir em ser sempre nosso domador •

• mas depois terminada essa bela festa •
• vamos perguntar novamente ao domador •
• se é verdade tudo o q ele nos disse •