Intemperanças - Antologia poética
×
Intemperanças - Antologia poética
Intemperanças - Antologia poética
De: R$ 40,00
Por: R$ 30,00 FRETE GRÁTIS!
6× de R$ 5,54
vezesparcelatotal
sem jurosR$ 30,00R$ 30,00
R$ 15,68R$ 31,36
R$ 10,60R$ 31,80
R$ 8,07R$ 32,28
R$ 6,55R$ 32,75
R$ 5,54R$ 33,24
Você poderá escolher o número de parcelas ao concluir a compra.

* Isto é uma simulação, verifique o valor final das parcelas no intermediador de pagamentos.

vezesparcelatotal
sem jurosR$ 30,00R$ 30,00
Você poderá escolher o número de parcelas ao concluir a compra.

* Isto é uma simulação, verifique o valor final das parcelas no intermediador de pagamentos.


Adicionar ao Carrinho
Antologia poética de 44 melhores poemas publicados de 1999 a 2014, e 11 poemas inéditos de 2015-2016. Prefácio de Marcílio Farias, da Universidade de Phoenix, EUA. Design: Romildo Gomes.

ROTEIRO PARA O MISTÉRIO DO MUNDO

Para que servimos senão para nossa própria vida?
Enquanto o rio desce por suas margens
ele não vê quem o olha
e inconsciente de si e do outro
prossegue sua jornada
como se não existisse.
A jornada (p. 47)

Arte precisa, arte exata, real, espelha e registra a única verdade possível: aquela incontida e rebelada, deflagrada no registro ôntico – o poema. A palavra está no princípio. Está no trânsito entre Um e o Outro, ponte perene que desvela e revela o indivíduo e o mundo e, consequentemente, as diversas, infinitas camadas dessa real idade de nós todos. Está no que se pode chamar de começo, no fim e no infinito – onde, magicamente, desmonta e desmantela essa aparente temporalidade. O poema transgride.
Quando abri este livro de Thereza (Rocque da Motta) e li (ao acaso, que sempre norteia a Vida mesmo) o primeiro poema, o coração (que dialoga o tempo inteiro com o cérebro e significações) acelerou em um compasso epifânico, trans-semiótico, tal qual queria Heidegger, ou clamava Joyce – dois autores para quem a escritura do Artista com “A” maiúsculo deveria se sobrepor ao indivíduo, por alçar este a uma dimensão que o igualava ao mito, lenda ou mistério da Criação, codificando o desconhecido que nos surpreende e ressuscita, como renascimento, como Anunciação.

Tuas mãos descrevem arabescos
em tua partida.
Carregas as flechas
e as espadas da agonia.
Nada te assemelha
ao mesmo rosto
pintado em nácar
sobre a casca,
a pérola a lacrimejar o sono
no fundo do oceano inconcebido.
Breve Troia, p. 58

Ao continuar a leitura, fui envolvido por essa perspectiva surpreendente, única, de poemas que agiam na minha consciência do poema como código revelador da Significação profunda, ontológica (a única possível para decifração de nós mesmos) mostrando, por contraste absoluto, histórico e heurístico, a raridade do trabalho de Thereza. Posso dizer com absoluta convicção que, no esquadro da produção poética em nosso mundo moderno, a poesia de Thereza está ao lado de produções mais significativas como as de Cecília (Meireles), Clarice (Lispector), Hilda (Hilst) e Marly (de Oliveira). “Donas” de trabalhos que revelam uma lavra penosa (porque pensada), dolorosa (porque vivida) e bela (porque sentida), onde o Verbo não se faz Carne, porque, em verdade, É carne: carne e sangue do poeta transubstanciados em significações que nos atingem em cheio no peito, sem subterfúgios; Verbo que traduz e trans-duz o Ser no “momentum” do Poema: aquele átimo de segundo em que o indivíduo deixa de existir como “si mesmo”, e se dissolve no Tudo que a percepção significativa e significante propicia e abarca ad infinitum mais que ao Todo – que é sempre finito.
E não se pode deixar de ressaltar o marco indicativo de excelência definido por este conjunto de poemas escolhidos pela autora. Thereza Rocque da Motta poderia ter selecionado apenas poemas inéditos para esta coletânea. Mas optou por uma cronologia abrangendo material publicado ao longo de quase duas décadas, culminando com poemas inéditos, propiciando aqueles recém-chegados ao portal de sua poiésis uma iniciação desarmada de truques, artifícios e malabarismos tão comuns hoje na literatura brasileira, infelizmente cativa de um mercado editorial cínico e antileitor, e que se satisfaz com a firula e a filigrana, esquecendo os fundamentos e a substância. As Intemperanças de Thereza caem sobre esse panorama como uma rajada de ar claro e limpo que traz consigo o estrondo de um cometa. Aparece com a força do vento das cinco horas que antecede a maré alta. E prepara o espírito e os corpos para a chegada plena do sol e da manhã.

Lavo meus olhos para ver
o que está diante de mim.
Os pés caminham nas ruas
ante a paisagem impassível.
Este o labor a que me ponho:
ser invencível ante o caos.
Eu e outras horas, p. 62

Impossível, por fim, não acrescentar a importância de Thereza, a Editora. A inovadora visual do “objeto” livro, tal qual Massao Ohno (a quem Intemperanças também é dedicado) e Bea Feitler, que revolucionaram visceralmente a ideia do livro, transformando-o em uma extensão do poema. Dever de todos nós, que amamos as obras de Arte Verdadeiras, aquelas que (como diria Joyce) nos deixam diante do silêncio que revela o Ser-Mesmo, dever de todos nós é ler, atenta e inteiramente, com a mais intensa reverência, esta obra extraordinária e perene.

New Orleans, final do outono, 2016
Marcílio Farias

ISBN 978-85-7823-265-8
88 p.
Brochura
18x27cm